Comentários e opiniões sobre a actualidade nacional e internacional, económica e não só.

Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
Mentalidades
A Dinamarca é um dos países mais desenvolvidos do mundo. Actualmente é o 3º país mais competitivo pelo ranking do World Economic Forum (WEF)

Tem impostos altos, sindicatos fortes, bom nível de vida, flexisegurança (o "papão" dos sindicatos comunistas).

A LEGO (sim, essa mesmo) decidiu o ano passado despedir 900 dos seus 1200 operários, ficando apenas com 300, ao deslocalizar a produção para o México e Europa de Leste.

Que aconteceria se tal acontecesse em Portugal ? Se a LEGO fosse portuguesa ? Qual seria a reacção dos sindicatos ?

. Começava-se por umas greves;
(quando a GM da Azambuja decidiu sair por Portugal ter custos de produção mais elevados que a Espanha (...), motivados por anos anteriores de pressão sindical para aumentos de benefícios que levaram a essa situação, os sindicatos em vez de procurarem propor soluções para diminuir custos optaram por ... greves)

. A seguir atirava-se as culpas para o Governo;
(sindicatos com agenda política e dependência partidária atacam qualquer Governo não-comunista por tudo e por nada)

. Atacava-se a globalização como a "culpada" disto e tudo o resto que for preciso, com umas manifs qb;

. "Exigia-se" a manutenção dos postos de trabalho, dos "direitos adquiridos", "exigindo-se" que fosse o governo a financiar artificialmente esses postos de trabalho, à custa dos nossos impostos;

Depois disto tudo, a LEGO (portuguesa) óbviamente fecharia.


Qual foi a reacção dos sindicatos dinamarqueses em relação à verdadeira LEGO ?

. Aceitaram a medida como forma de diminuir os custos da LEGO e assegurar a sobrevivência da empresa;

. Não entraram em guerras com a administração nem culparam o governo dinamarquês dado que não têm agenda política contra este ou aquele governo. E o governo não tem nada a ver com as decisões da actividade privada;

. Sabem que com a flexisegurança a facilidade de despedir significa que as empresas estão mais à vontade para contratar, sem precisar de truques como os "recibos verdes". Assim o desemprego é mais baixo;

. Chegam a afirmar que se a LEGO ganhar financeiramente ao baixar os custos dos LEGOS aumentando assim as vendas, todos os que lá puderam manter-se ganham com isso. A alternativa era o fecho da empresa, e nenhum trabalhador ganharia com isso.

. E sendo adeptos da globalização sabem que a deslocalização de produção para países menos desenvolvidos levará ao seu desenvolvimento e posterior maior procura de produtos como os LEGOS.

Diferentes mentalidades sindicais. Por isso a Dinamarca é a 3ª, Portugal o 40º.

Se podemos atacar parte da nossa classe empresarial por incompetência, falta de visão e tacanhez na relação com os trabalhadores, temos que admitir que os nossos sindicatos são a outra face dessa moeda.

E essa moeda leva-nos ao estado em que estamos.

Basta ler ...

"Last year Danish toymaker Lego announced plans to outsource most of its manufacturing to Eastern Europe and Mexico. Of 1,200 blue collar jobs at Lego's headquarters in the town of Billund, only about 300 would remain.


You might think this would make union leaders at Lego hopping mad. You'd be wrong. "We thought it was the best way to keep as many workers' places in Denmark as possible," maintenance man and union shop steward Poul Erik Pedersen tells me. "We aren't against the management. We want to make sure that they make money and we make money." Then, unprompted, he takes the argument a step further: "There are some good things about outsourcing. Where the jobs go, the standard of living is growing, and then they can afford to buy more Legos or other things from the West."

In most of the developed world, globalization is a deeply fraught topic. Not in Denmark. There, 76% of respondents in a recent poll said globalization was a good thing. "
in Time


publicado por HomoEconomicus às 20:02
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2007
O PCP e Frei Tomás
Segundo a sabedoria popular, relacionado com Frei Tomás havia um dito que era mais ou menos do género :

"Que bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz".

Ora o PCP na Festa do Avante deste ano mais uma vez veio com a ladainha de comemorar a "revolução de Outubro", ou seja a ditadura comunista da ex-URSS, misturando também e como de costume a palavra "democracia" com o "apoio revolucionário" às ditaduras comunistas que ainda sobrevivem.

Veio também a ladainha do costume contra os capitalistas, a globalização, etc.

Mas extraordináriamente na festa do Avante tivemos no "comes e bebes" empresas capitalistas e globais como a Pizza Hut ou Kentucky Fried Chicken !!!

Provávelmente a Coca-Cola ou Pepsi também estiveram presentes e para o ano quem sabe, a McDonalds ?

O que mostra que, tal como acontece com as "revolucionárias" Cuba ou Coreia do Norte (ver posts anteriores neste blog), a retórica ideológica é muito bonita mas quando chega à "paparoca" é melhor confiar nos capitalistas globalizados que o comunismo nunca matou a fome a ninguém. E negociar naturalmente com eles o fornecimento da mesma "paparoca" para evitar dissabores. Se até esses países já o fazem ...


in Diário de Notícias de 10 de Setembro

PS. Parece que as "revolucionárias e democráticas" FARC não vieram à festa do Avante. Na verdade um grupelho terrorista cuja actividade conhecida para além dos assassinatos é o rapto (incluindo de portugueses) e o tráfico de cocaína já não estava a parecer políticamente correcto num evento destes.


publicado por HomoEconomicus às 20:47
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007
Os descobrimentos e a globalização
Saiu mais um livro sobre o papel de Portugal como iniciador da globalização com os Descobrimentos.

Sim, Portugal iniciou os descobrimentos não para fazer "exploração científica" para alguma "Revista Nacional de Geografia" que existisse no séc. XV mas para conquistar terras, captar recursos e fazer comércio, numa perspectiva do que agora chamamos de globalização.

E se para aqueles extremistas para os quais os Descobrimentos foram pouco mais que aventuras "capitalistas, exploradoras e racistas", ser anti-globalização apesar de irracional é coerente, estranha-se que aqueles que vangloriam Portugal e a sua História e nomeadamente os Descobrimentos, sejam agora incoerentemente contra o objectivo dos Descobrimentos, a Globalização.

Mas coerência e racionalidade normalmente nunca se deram bem com dogmas.


publicado por HomoEconomicus às 08:48
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Quinta-feira, 7 de Junho de 2007
Globalização e os folclóricos anti-globalização
Mais uma reunião do G8 e tal como nas reuniões da OMC, mais manifestações e actos de violência dos inadaptados da sociedade.

Grupelhos da extrema-esquerda e extrema-direita que se unem para tentar satisfazer a frustação do  seu falhanço pessoal, académico e profissional na sociedade, culpando a sociedade  de tudo e procurando satisfazer as suas frustações através de manifestações preferencialmente com actos de violência delinquente,  o que na verdade é sempre melhor para o ego do que reconhecerem que são uns falhados ou pelo menos uns frustados com a sua vida.

- Dizem eles "Não à globalização"

Globalização na verdade iniciada pelos portugueses com as Descobertas, que tinham como um dos grandes objectivos o comércio internacional.
Não é preciso ser muito inteligente para se perceber que se por hipótese acabasse o comércio internacional TODOS os países ficavam pior começando pelos nosso, com desemprego a disparar, escassez de vários bens e nível de preços a disparar também. Não é preciso muita inteligência para se perceber isso.

- Dizem eles que "a globalização aumenta as desigualdades sociais".

Mais importante que as igualdades sociais, o importante é saber se os que estão piores numa dada sociedade antes da abertura do seu país ao comércio internacional melhoram ou pioram. E TODOS os dados PROVAM que ficaram melhor, sejam quais forem os indicadores de análise. Quanto às "diferenças sociais", é com cada país praticar as suas políticas redestributivas. Mas é melhor haver desigualdades num um país mais rico que por redistribuição as pode minorar, ou "igualdade" na miséria ?

Claro que "minorar" as "desigualdades" deve ser feito com cautela. Se eu me esforçar muito mais que o vizinho  na minha vida académica e profissional para depois o Governo vir e obrigar a que o meu nível de vida fique semelhante ao do vizinho, o que acham que eu faço ?

Para os extremistas a sociedade deve ser igualitária, na mediocridade. Para os "igualitários anti-capitalismo e anti--globalização" é melhor todos "igualitáriamente" na miséria e preferencialmente sob uma ditadura de "iluminados" (que não estarão na miséria, estejam descansados) é melhor que uns na mediania mas outros muito bem na vida. As invejas são sempre complicadas e a procura de quem nos guie um sintoma de imaturidade e insegurança pessoal.

Mas aqueles que gostam de uma "sociedade igualitária" vão a Cuba. Toda a população entre fazer biscates e a prostituição para procurar ter algo de melhor. E não venham com tretas do "boicote dos EUA" como causa da miséria cubana.
1º O boicote não é o papão nem a desculpa que os esquerdistas querem. Até portugueses já investiram em Cuba.
2º Mesmo que o boicote fosse total, que não é, apenas cumpria o que os "anti-globalização" defendem, impedir a Cuba de se globalizar com todos os "malefícios" da globalização. E Cuba estará muito melhor isolada. Não é ?

-  Dizem eles "Não às fábricas  das multinacionais capitalistas, exploradoras, fascistas".

Coitados, que cegueira dogmática.

Que se saiba nos países de 3º mundo ou mesmo em Portugal ou países de Leste, ninguém é obrigado a ir trabalhar para essas fábricas. Porque todos correm a esses empregos, mesmo quando existem empregos noutros lados ?

Porque tendo naturalmente os trabalhadores nas fábricas multinacionais menor remuneração que nos países de origem, senão é ÓBVIO que as fábricas ficavam nos países de origem, trabalhar numa multinacional assegura SEMPRE melhores ordenados e condições de trabalho que nas chafaricas locais. Para além de criarem emprego.

Dizem alguns "génios da luta dos trabalhadores" que as condições oferecidas pelas multinacionais nos países do 3º Mundo são "muito piores" que as oferecidas  nos EUA, Europa Ocidental, etc... 

Claro. Nem é preciso ir mais longe. A AutoEuropa oferece condições abaixo das oferecidas numa fábrica equivalente na Alemanha. Querem que a AutoEuropa feche ? Já nem falando aspectos como a produtividade sempre importantes nestas comparações.

Comparando então uma fábrica nos EUA com uma fábrica na Indonésia, para satisfazer os anticapitalistas com ódio de estimação aos EUA (porque derrotaram o nacional-socialismo alemão, o comunismo da URSS e o fascismo italiano), o que temos ?

. Se a fábrica tivesse que oferecer mesmas condições que nos EUA ficava nos EUA, embora não fosse garantido que muitos americanos quisessem trabalhar mesmo com condições "americanas". Provávelmente seriam imigrantes mexicanos, o que é sempre bom para os mexicanos, claro. Mas quem é anti-globalização é necessáriamente anti-imigração. A imigração é um dos elementos da globalização;

. Os indonésios preferem sempre trabalhar numa fábrica de multinacional "capitalista" americana que lhes oferece emprego e condições muito melhores do que em qualquer fábrica indonésia;

.  A fábrica na Indonésia NUNCA poderia  oferecer aos indonésios remunerações "à americana" pelo factor adicional de que tal iria criar desiquilíbrios na economia indonésia. Para os pobres de espírito que não percebem isso, imaginem a AutoEuropa pagar como na Alemanha, com as pressões sindicais para que todos ganhassemos como na Alemanha.

Imaginem no absurdo que a partir de 1 de Janeiro de 2008 TODOS os portugueses seriam remunerados como os alemães. Sabem o que aconteceria a Portugal ?

Os ignorantes informem-se, naturalmente nem todos são obrigados a saber. Os hipócritas aldrabões que sabem mas mentem em nome do dogma, é melhor ficarem calados.

Estejam descansados os "bons samaritanos" que tal como aconteceu com Portugal, com a globalização nos países do 3º mundo as condições laborais irão gradualmente melhorar, sem criar tenções ou problemas nos respectivos países e irão ano após ano ficar mais ricos e com melhor nível de vida, mesmo que ao longo da mesma tenham que ir aprendendo, mudando, adaptando a novas necessidades de uma sociedade que não "pára" ao longo das mais que 4 dezenas de anos da vida profissional de um ser humano, pelo que o ser humano também não pode parar.

Já agora um ponto adicional. Sabem o que aconteceria se a Nike por exemplo pagasse nas fábricas nos países de 3º Mundo o mesmo que nos EUA ?

1 - Os ténis ficavam mais caros;
2- Ténis mais caros, procura diminuia;
3 - Procura diminuia, fábricas fechavam e o indonésio nem ordenado "à americana" nem emprego, nem condições de trabalho, nem ordenado "de multinacional capitalista" acima do oferecido em média na Indonésia. Nada.

Azar não era ?

Nota adicional :
Temos que começar a ver os actos de violência anti-globalização como actos de criminalidade (que o são) e não actos "políticos" que nunca o foram. Ou seja, nada de polícia branda em que por vezes tem mais baixas nos confrontos que os próprios manifestantes delinquentes, mas actuar com a força necessária como se actua contra gangues de criminosos, na mesma escala mas com mais firmeza.  Quem actua com pedras, paus,  cocktails Molotov e semelhantes artefactos deve ser defrontado na mesma escala de força para que a violência deixe de se repetir.


publicado por HomoEconomicus às 10:17
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