Comentários e opiniões sobre a actualidade nacional e internacional, económica e não só.
Segunda-feira, 25 de Junho de 2007
Tratado Europeu
Aparentemente o Tratado Europeu (Tratado Reformador ou qualquer outro nome que lhe queiram dar) está no bom caminho e poderá vir a ser chamado de Tratado de Lisboa caso seja finalizado formalmente na Presidência Portuguesa da União Europeia.

Com o Tratado Europeu na sua finalização começam os pedidos de referendo.

- O PSD de Marques Mendes por mera luta política de ser do "contra" dado que nem dentro do partido a questão é pacífica (como raras questões são pacíficas);

- A extrema-esquerda por razões puramente ideológicas dado que aceitando como um sapo que engoliram a presença de Portugal na União Europeia, serão sempre contra tudo o que venha a criar uma Europa mais forte, competitiva e baseada na economia de mercado. Se "eles" tivessem dominado o país nos anos 70 teriamos entrado na entretanto extinta Comecom (acordo comercial e de cooperação dos países comunistas) sem qualquer hipótese de reclamar quanto mais referendos. E Caxias ali estaria para quem reclamasse um referendo;

- A extrema-direita com os nacionalismos bacocos em que Portugal mantinha o seu "poder de decisão" (qual ?) irrelevante e sem consequências num mundo globalizado, mantendo o seu escudinho, a sua economia estilo albanesa do antigamente isolada e pouco desenvolvida e pouco mais. Tudo entre o mediano e o medíocre, para permitir aos medianos e medíocres terem algum peso na vida nacional;

- Os "intelectuais" e outras figuras que querem  o referendo  para mostrarem que são alguém e terem algum tempo de antena, pedem "a consulta ao povo" e pedem debate que na maior parte das vezes pouco mais é que masturbação mental de meia dúzia de "brilhantes".

Porque não deve haver referendo ?

- Porque os portugueses já DEMONSTRARAM em 3 referendos que consideram Portugal uma democracia representativa. Eles votam nos partidos que acham melhor e os políticos que decidam e não passem as "batatas quentes" através do referendo novamente para os eleitores;

-  Porque  assim como não se referendou a Constituição Portuguesa dado que os conhecimentos para votar em consciência não estão própriamente ao alcance de todos, nem a vontade para adquirir esses conhecimentos existe, não se deve referendar este tipo de Tratados.

- Porque nos referendos damos relevo àqueles cuja capacidade em qualquer debate é dizer "Não" sem apresentarem qualquer alternativa, dado que nem capacidade têm para apresentar alternativas. É muito fácil dizer "Não", qualquer miúdo pode fazer "birras".
Mais difícil será apresentar alternativas, que nos referendos o "Não" nunca apresenta.

- Num referendo como este não é preciso ser-se muito inteligente para prever uma alta taxa de abstenção. E aí se em termos de votos os grupinhos das extremas políticas mais a meia dúzia de intelectuais do contra continuam a ser irrelevantes, vão dar hossanas porque em termos percentuais a votação será, nas palavras deles, "expressiva".

Acreditem, a honestidade intelectual não é característica dos fundamentalistas dos "Nãos" da sociedade.

. Se o "Não" tiver 1 milhão de votos, eles vão dizer que 9 milhões de portugueses são contra o Tratado Europeu. Já aconteceu essa linda "análise" no referendo da IVG.

. Lembram-se da IVG ? Para os defensores do "Não", o primeiro referendo foi "vinculativo" dado que o "Não" tinha vencido, mesmo que por pequena diferença e grande abstenção. Mas para eles no último referendo o "Não" continuava a ser "vinculativo", mesmo que a abstenção tendo sido menor e a diferença entre "Sim" e "Não" muito maior,  porque como menos de 50% não tinham votado,  a lei não podia mudar. Para lá da  "pérola" de que, para os do "Não", a sua votação eram os votos expressos no "Não" MAIS toda a abstenção. Muito honesto na verdade.

Voltando ao Tratado Europeu.

Deixemo-nos de lirismos. A globalização veio para ficar e se tem criado maiores "desigualdades económicas" não sendo a única culpada disso (ver último relatório da OCDE), "desigualdade económica" não significa que o mais pobre fique tão ou mais pobre como os "ideológos" da anti-globalização querem dar a entender. Antes pelo contrário.

E no mundo global temos vários blocos político-económicos de peso (EUA, Japão, a curto prazo China, a médio prazo Índia, etc.) já nem falando de diversos acordos económicos (Nafta, Mercosul, etc.).

Contra isto apenas um bloco político-económico chamado Europa pode ter peso nas decisões mundiais. Não uma quase trintena de países, cada um para seu lado, cada um com peso político-económico e demográfico práticamente irrelevante no mundo do séc. XXI. E muito menos um Portugal pequeno em todos os aspectos  quando  visto numa óptica mundial.

Só uma Europa forte pode influenciar o mundo, e pequenos países como o nosso têm vantagem em pertencer a essa Europa forte que decida e se apresente de forma una e não com cada país a usar o seu "poder de decisão" para fazer as coisas à sua maneira, fazendo rir as grandes potências e todo o restante mundo.

"Abrir, por populismo ou convicção, a caixa de Pandora dos nacionalismos é enfraquecer fatalmente a Europa. Os europeus já não têm impérios e só juntando-se poderão sobreviver no confronto com os impérios dos outros"
José Cutileiro in Expresso

Quem não percebe isto é ignorante ou dogmáticamente hipócrita.


publicado por HomoEconomicus às 10:27
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